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9 de Maio de 2021

Retrospectiva "vazajato" e o Golpe

há 2 anos

Há 3 anos publiquei um artigo que fazia analogia entre um exame de um paciente e a possibilidade de estar ocorrendo um Golpe. Na ocasião , como agora, a aceitação desta hipótese era rechaçada veementemente.

Neste dia 8 de setembro de 2019 as novas revelações da "vazajato" tornam meu texto uma síntese dos fatos. Toda a análise que levou ao diagnóstico se mostrou totalmente coerente e adequada ao sabermos dos diálogos e movimentações que ocorreram em março de 2016.

Leiam a reprodução e só o futuro dirá se o tratamento proposto é verdadeiramente o único adequado. Tivemos uma pequena amostra do tratamento quando o STF impediu a censura na Bienal do Livro no meu sofridoRio.

https://cristinamaia.jusbrasil.com.br/artigos/317146628/diagnostico-golpe-de-estado

  • O que é um golpe de estado?

O Aurélio assim define: “ ação de uma autoridade que viola as formas constitucionais; conquista do poder político por meios ilegais.” 1

Ou pela Wikipédia: “… se caracteriza por uma ruptura institucional repentina, contrariando a normalidade da lei e da ordem e submetendo o controle do Estado (poder político institucionalizado) a pessoas que não haviam sido legalmente designadas (fosse por eleição, hereditariedade ou outro processo de transição legalista)."2

O diagnóstico final é golpe e vou explicar porque à luz da Semiologia ou Propedêutica que é um conjunto de ações que compreendem: a queixa principal e o tempo de evolução ( QP), a anamnese, o exame específico, o exame geral e os exames complementares.

A Anamnese (do grego ana, trazer de novo e mnesis, memória) é uma entrevista realizada por um profissional da área de saúde com um paciente, que tem a intenção de ser um ponto inicial no diagnóstico de uma doença. Em outras palavras, é uma entrevista que busca relembrar todos os fatos que se relacionam com a doença e com a pessoa doente. Nesta entrevista temos a história da doença atual ( HDA) e a história patológica pregressa (HPP)

Paciente= Brasil

QP= instabilidade política há 17 meses

HDA= após as eleições de 2014 os derrotados nas eleições aliados aos insatisfeitos com o resultado, iniciam uma “campanha “de desestabilização política do governo. Utilizam queixas junto ao TSE para impugnar a chapa vencedora, mesmo após o prazo previsto na Constituição.3

O Congresso fica paralisado envolvido nesta campanha, buscando todas as formas possíveis de enfraquecer o governo, sem qualquer compromisso com o paciente.

A chamada “operação lava jato” concentra todas as suas forças em destruir um único partido, do governo, violando um princípio elementar da legalidade, a imparcialidade.

O STF, quando chamado a se pronunciar, se mostra tímido, acuado, dividido, sugerindo um comportamento parcial, contaminado pela grande mídia.

A mídia, esta rompeu todas as barreiras da ética e da boa prática jornalística, com matérias eivadas de vícios, ilegalidades, difamação, desinformação…

A mídia internacional começa lentamente a mostrar a visão externa da situação onde temos a BBC que nesta quinta-feira (24/ 03/16) numa entrevista com o professor norte-americano James N. Green, assinada por João Fellet, mostra um paralelo entre o golpe de 1964 e o atual momento político do país. A reportagem lembra que, ao derrubar o presidente João Goulart e assumir o poder em 1964, os militares diziam agir para livrar o Brasil do comunismo e da corrupção. Para o professor norte-americano James N. Green, que pesquisa a história brasileira há mais de 30 anos, os mesmos argumentos têm sido evocados por muitos dos que agora defendem o impeachment de Dilma Rousseff.4

A ONU também se manifesta alertando sobre o golpe. 5

Por fim e não menos grave, um juiz libera áudios, de forma ilegal de conversas onde está presente a Presidente da República, sem qualquer nexo com a investigação em curso, alem de áudios de personagens, como o Prefeito Paes, que teve sua intimidade violada ( não importando aqui se o mesmo é merecedor ou não de nosso apreço )

HPP= Aqui reproduzo um resumo de uma tese de mestrado sobre o golpe de 64, onde é assustadoramente atual, mostrando que o paciente ja sofreu antes desta patologia. Cito diversas teses de mestrado e doutorado onde o tema recorrente é Congresso paralisado em oposição ao executivo, mídia em campanha difamatória, judiciário conservador e STF omisso. Lembrar que isto ocorre mesmo após nossa CF /88 que produz ou reforça mais mecanismos de instituições de controle e fiscalização da aplicação das leis…"6

"O objeto central desta dissertação é a transição da crise política estabelecida durante o governo João Goulart para o Golpe Político Militar de 1964. Trabalhando especificamente com a dimensão política do Golpe de Estado, analisamos o conflito conjuntural sistêmico existente entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo como sendo sua principal causa político-institucional. Partimos então da seguinte questão: como em um intervalo de menos de três anos o Poder Legislativo foi capaz de abandonar sua postura anti-golpista, sendo determinante para a efetivação do regime militar? Nesse contexto, formulamos a hipótese de que, além de potencializar os conflitos ideológicos da sociedade, as decisões políticas tomadas no Congresso Nacional em meio aos debates sobre as reformas foram cruciais para o desgaste e isolamento político de João Goulart. De tal modo, avaliamos como a incompatibilidade entre o caráter reformista do Poder Executivo e a predominância de uma postura conservadora no Congresso Nacional foi determinante para o término do período democrático da República de 46. Utilizamos os Diários do Congresso Nacional, os discursos presidenciais e as atas de algumas Convenções Partidárias, para analisar os principais conflitos políticos ocorridos entre 1963 e 1964, sendo eles: o restabelecimento do presidencialismo, o Plano Trienal, as negociações em torno de diferentes projetos de Reforma Agrária, a Vigília Cívica, e os conflitos ocorridos durante o mês de março de 1964. Deste modo, buscamos contrapor as teses que tendem a explicar o Golpe de 1964 a partir da justificativa de que ele foi resultado da radicalização dos autores, ou até mesmo, da falta de um compromisso com o regime democrático. Assim, no decorrer da pesquisa buscamos apresentar o protagonismo exercido pelo Poder Legislativo no processo de formulação, execução e legitimação do Golpe de Estado.”7

Exame Físico objetivo e geral= Congresso parado; Instituições como Conselhos de Categorias (advogados, médicos, …) raivosos; Acentuação do corporativismo em órgãos como a Polícia federal, Ministério Público resistindo as críticas construtivas e corretivas; Ministros do STF se ofendendo por qualquer coisa; e entre outros tantos sinais o nosso povo dividido.

Exames complementares= radiografia das instituições de controle e fiscalização; DNA dos “comandantes “ a quem interessa esta instabilidade política; Ressonância Magnética do Congresso para que possamos ver em detalhes os tipos de congressistas que temos; entre outros exames

Diagnóstico final= Por se tratar de uma síndrome (síndrome é o conjunto de sintomas que caracterizam uma doença ou o conjunto de fenómenos característicos de uma determinada situação) posso afirmar sem medo de errar que estamos diante de um GOLPE.

Acrescento que esta forma de raciocinar não foi inventada por mim e sim um meio de se chegar ao diagnóstico, que realizado leva ao tratamento adequado, utilizado por todos que um dia precisaram de um médico.

Quanto ao tratamento só posso afirmar que o diálogo e a adesão do paciente (todos nós brasileiros) à democracia é que pode curar o doente.

1-https://dicionariodoaurelio.com/golpe

2- https://pt.wikipedia.org/wiki/Golpe_de_Estado

3-CF parágrafo 10 art 14 (só pode impugnar até 15 dias da diplomaçao)

4-http://www.jb.com.br/pais/noticias/2016/03/24/bbc-especialista-norte-americano-ve-risco-de-golpe-no-brasil/

5-http://www.ocafezinho.com/2016/03/24/comissao-da-onu-divulga-nota-fortissima-contraogolpe/

6-https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#newwindow=...

7-http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-19122013-144916/pt-br.php

C

Cristina Maria Machado Maia

médica

Médica , formada há 35 anos, apaixonada por tratamento de feridas e por práticas médicas que visam prevenir as doenças. Autodidata em Direito com particular predileção por Direito Constitucional e Administrativo. Fã incondicional da educação como ferramenta de conhecimento e poder. Fui professora em curso de pós graduação para enfermeiras ensinando embriologia, fisiologia da pele, entre outros temas.

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Carla

3 anos atrás

Concordo com seu diagnostico, dra. Maria Cristina Machado Maia e agradeço seu esforço em facilitar a compreensao do momento politico que estamos vivendo, de extremo perigo para as instituiçoes democraticas e para o futuro de nosso povo.

Apenas acrescentaria ao metodo de tratamento proposto - dialogo e democracia - a força, pois vamos precisar de muita para impedir que entreguistas e descompromissados com o Brasil e a populaçao brasileira novamente instalem o caos e a violencia em nosso Pais, procurando apenas manter seus privilegios economicos e políticos e com o objetivo de desmantelar nossas riquezas em prol do capital internacional.

Nao permitiremos!

Nao vai ter golpe!

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Michel C.

3 anos atrás

Como não poderia deixar de ser, a análise que resulta na conclusão de"golpe"ignora completamente os fatos apurados pela polícia, pelo MP, indicados por delatores.

Espero sinceramente que não haja pacientes diagnosticados dessa maneira, do contrário"gripe"seria"alta exposição a raios cósmicos","enxaqueca"seria"ação direta de paranormais da CIA no cérebro", e por aí vai...

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Amado Neto

3 anos atrás

Brilhante artigo Dra. Maria Cristina Machado Maia. Tenho lutado com as armas que tenho às mãos contra mais esse golpe que se pretende dar na tão surrada república. Todos os dias respondo a inúmeros comentários contra o governo, sem que tenha procuração legal para isso. Da para ver o tamanho dessa doença que assola o país pelo número de pessoas a quem essa mesma doença, chamada de golpe contra a democracia, acometeu, e pelos comentários insanos que proferem os doentes da" causa ". Por vezes, chegam a ofender a digníssima senhora presidente da república com palavras que não se dirigem a mais baixa e vil pessoa do crime. Aqui mesmo neste espaço de debates, doutores da lei tem infringido constantemente o Art. 138do Código Penal - Decreto Lei 2848/40, que discorre sobre a calúnia e suas implicações. Pessoas estudadas e das quais se presume esperar bom senso e respeito a ordem, caluniam as pessoas de Lula e Dilma, chamando-os…continuar lendo

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Nathalia Camozzi

3 anos atrás

A proposta inicial foi interessante, mas o desenvolvimento das premissas da anamnese, ao meu ver, são muito falaciosos. O erro, ao meu ver, foi tratar leituras subjetivas como dados objetivos.

A assertiva de que houve uma" campanha de desestabilização do governo "exigiria mais estudo e demonstração de causa e consequência. Por exemplo, o que se percebe como"campanha de desestabilização do governo"pode, igualmente, ser reflexo de má capacidade negocial, de articulação e gerencial, causando rixa e aversão ao um pólo enrijecido por demais atores negociais, que dependem de decisões. É necessária análise comportamental dos envolvidos para se chegar a tal conclusão -- e estudo desta natureza exigiria amplo conhecimento de fatos que ocorrem nos bastidores da administração política, analisando-se qualitativamente as…continuar lendo

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Cristina Maria Machado Maia

3 anos atrás

Nathalia, oi. Muito bom seu argumento, acadêmico. Mas vejamos, se fosse desenvolver todo o tema por itens seria uma monografia. A desestabilização é uma observação objetiva porque o Congresso não vota nada , e subjetiva porque uma percepção de paralisação. Quanto à operação"lava jato"precisaria de ver todos os processos, fato, mas apoiei e apoio qualquer trabalho de servidor público, dentro da legalidade, e aqui ao fazer a condução coercitiva do Lula e divulgar os grampos, atos formalmente ilegais, abriu a porta da desconfiança em um trabalho imparcial. Neste ponto , como na anamnese, não podemos ainda , a luz dos conhecimentos atuais, quantificar dor, apenas nos basear na informação do paciente, combinado com outros sintomas e sinais. Até a lista da Odebrecht, que temos que esperar sobre a legalidade ou não das doações, os sinais eram claros de investigação parcial, porém havia o benefício da…continuar lendo

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